Toda escrita é baseada no início de um pensamento. “Quero
escrever um livro” pode ser uma premissa fútil, porém se o querer estiver
colocado no lugar correto, tudo bem. O lugar correto pode ser qualquer lugar
que tenha uma boa base, seja uma escrivaninha ou suas próprias pernas.
Todo o santo dia – todo, mesmo – eu me pego pensando em dar
minha opinião sobre as coisas que nos cercam. De nada vale, uma vez que opinião
por opinião não leva à tão desejada base – talvez só a câimbras nas pernas.
Tenho muitas câimbras, se bem gostariam de saber. Talvez eu
ainda não tenha aprendido o limite do “querer”, ou mesmo o limite que meus pés
podem esticar-se durante um orgasmo. Não sei. Sei que dói, bem como a opinião
pela opinião.
Existem pessoas que não sabem ler, assim como existem
aqueles que não querem saber, e saem lendo o que elas acreditam estar escrito.
Toda a mecânica da vida está envolta em detalhes – sutis detalhes – que poucos enxergam.
Quem os enxerga não é genial, é apenas mais um sensível entre tantos bocós de
Nova Iorque. Cada led piscante no fundo da tua íris faz um pouco de sentido. Se
ele for vermelho, indica muito mais do que paixão ou morte. Se for roxo, muito
mais do que dor ou chupão.
Eu penso muito mais do que eu deveria, acredito. Inclusive
nas horas em que deveria estar pensando em nada além do prazer mútuo. Penso
quando estou triste – e aprofundo a tristeza a ponto de pensar em suicídio –
penso enquanto ando de ônibus – e cerco-me de detalhes que poucos ao meu redor
estão percebendo – penso enquanto como – e invento novos sabores para os
temperos corriqueiros. Às vezes pensar é como um led piscante, porém com cores
que nunca antes eu havia visto.
Formar paletas de cores na vida. Acho que esse é o real
sentido de estarmos aqui criticando e criticando e criticando. Ou apenas
contemplando. Contemplamos cores infinitas, que no final podem ser formadas por
pigmentos brancos ou pretos. Jamais saberemos. Jamais seremos todas essas
cores. Jamais confiamos em acreditar na existência de todas elas.
Transcendemos ao olho mágico, queridos. Transcendemos às
coisas supérfluas que agarramos com força e acreditamos ser realidade.
Transcendemos, muitas vezes, à ideologia enlatada que nos é vendida todas as
manhãs, como quando aqueles “vendedores de palavras” batem às nossas portas,
seja pedindo um minuto pela palavra de Deus, ou pedindo um minuto para ouvir
sobre o nosso serviço de segurança de cinqüenta “reaizinhos” mensais, só pra
ajudar a galera e ajudar a senhora aí também, que é vítima da violência.
Nem todo pensamento é baseado em uma escrita. Aprendemos a
pensar antes mesmo de aprendermos a ler, porém não nos foi ensinado que podemos
exercitá-lo. O exercício do pensamento pode gerar confusão, pode gerar o livro
que você queria escrever, pode gerar apenas conspiração, o que também é bom
quando combinada ao bom senso.
Pensar pode ser tão bom quanto um amor leviano. Ou tão ruim,
depende do desdobramento do mesmo. Dos mesmos. Quisera eu pensar menos, ou
escrever sem pensar tanto...